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Moçambique: Plano de Reconstrução de Cabo Delgado orçado em 256 milhões



O orçamento total deste plano é de cerca de 300 milhões de dólares, sendo que aproximadamente 200 milhões [170 milhões de euros] são destinados à implementação de ações de curto prazo, referiu hoje Carlos Agostinho do Rosário, durante uma apresentação a parceiros internacionais, dos quais espera apoio.

As ações de curto prazo devem ser aplicadas no prazo de um ano e incluem a reposição da administração pública, unidades sanitárias, escolas, energia, abastecimento de água, saneamento, telecomunicações, vias de acesso, identificação civil, apoio psicossocial e autoemprego, sobretudo para jovens, entre outros.

O primeiro-ministro moçambicano realçou que o trabalho de reconstrução de infraestruturas e do tecido humano é imenso e é necessário continuar a reforçar as sinergias entre Governo, parceiros de cooperação, setor privado e outros intervenientes para agir mais depressa.

A nossa expectativa é que, com base neste documento, os parceiros possam identificar as áreas de intervenção e indicar como se poderão juntar aos esforços do Governo na mobilização de recursos para a implementação deste plano, disse.

Carlos Agostinho do Rosário referiu que algumas medidas estão já em andamento, como a assistência em bens alimentares e outros, incluindo kits de abrigo para as populações dos distritos de Quissanga, Nangade, Macomia, Palma e Mocímboa da Praia.

Há também uma retoma gradual do pagamento do subsídio social básico nos distritos de Nangade, Mueda, Quissanga, Ibo e Macomia.

A reposição de energia elétrica em Awasse, Mueda, Nangade e Mocímboa da Praia, o restabelecimento gradual das comunicações móveis e a reabilitação de estradas foram alguns exemplos dados pelo governante.

O primeiro-ministro sublinhou que o plano é o documento único para a reconstrução de emergência dos distritos do norte de Cabo Delgado e não substitui outros planos de desenvolvimento das províncias do norte.

A província de Cabo Delgado é rica em gás natural, mas aterrorizada desde 2017 por rebeldes armados, sendo alguns ataques reclamados pelo grupo extremista Estado Islâmico.

O conflito já provocou mais de 3.100 mortes, segundo o projeto de registo de conflitos ACLED, e mais de 817 mil deslocados, segundo as autoridades moçambicanas.

Desde julho, uma ofensiva das tropas governamentais com o apoio do Ruanda a que se juntou depois a Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) permitiu aumentar a segurança, recuperando várias zonas onde havia presença de rebeldes, nomeadamente a vila de Mocímboa da Praia, que estava ocupada desde agosto de 2020.

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