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Cineasta de Campinas leva 14 prêmios por Limiar, a história da transição de gênero do próprio filho




Foi feito dentro de casa, artesanalmente, com as pessoas que amo, revela ao g1 Coraci Ruiz. Documentário também conquistou duas menções honrosas e rodou por 15 países em 45 festivais. Assista ao trailer do documentário Limiar, de Coraci Ruiz O documentário Limiar alcançou seu 14º prêmio em festivais de cinema brasileiros e internacionais em outubro, uma história que expõe a intimidade da cineasta de Campinas (SP), Coraci Ruiz, diante da transição de gênero do seu próprio filho. A mãe e o jovem, de 43 e 20 anos, contaram ao g1 detalhes dos bastidores da trama e a surpresa com tamanho reconhecimento. Assista ao trailer no vídeo acima. “Limiar é um filme sobre intimidade. Foi feito dentro de casa, artesanalmente, com as pessoas que amo”, revelou Coraci. A obra da trajetória autobiográfica da cineasta foi feita pela produtora audiovisual Laboratório Cisco, localizada na metrópole, e chegou a ser um dos filmes brasileiros cogitados à indicação ao Oscar 2022. Em 11 meses desde o lançamento, foram 45 festivais em 15 países, como Canadá, Áustria, Espanha, Alemanha, Rússia, Itália, Uruguai, Peru, Portugal, Estados Unidos, França, Suíça, África do Sul, Reino Unido e Irlanda, além das exibições no Brasil. Documentário Limiar, da Laboratório Cisco, ganhou 14 prêmios e passou por 45 festivais brasileiros e internacionais Arquivo pessoal A cada mudança, um registro Noah Silveira Ruiz viu as gravações acontecerem simultaneamente às transformações que ele adotava em sua transição, como a adoção de outros pronomes ou modificações na aparência. A cada mudança, Coraci realizava uma entrevista. Minha mãe colocou todo seu amor e carinho nesse filme. Me mostrou cada etapa e se preocupou sobre como eu me sentia. Vê-la levantando minhas bandeiras me emociona muito, aponta o estudante de artes visuais. Perto do mundo do filho O processo de transição de gênero começou em 2016, segundo Noah, a partir do questionamento de sua identidade e do contato com outras pessoas trans. O primeiro passo foi me entender como não sendo mulher. Depois, entender que isso não significava ser homem. Foram processos diferentes e, por fim, me encontrei na fuga do padrão binário de gênero, define. Coraci e Noah, mãe e filho de Campinas (SP), em fotografia para o documentário Limiar Coraci Ruiz No mesmo ano, Coraci realizava sua pesquisa de doutorado em documentários autobiográficos pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), mas não possuía um tema de relevância próximo. Ela relatou que sua primeira reação foi pedir para filmar quando seu filho expôs as interrogações sobre seu gênero e que, em pouco tempo, isso estreitou os laços entre os dois. A presença da câmera criou um ambiente fora do cotidiano de mãe e filho, criando um ritual onde nosso diálogo fluía. Temos nossas questões como qualquer outra família, mas durante as gravações tínhamos um momento nosso, explicou a diretora. No começo foi tudo novo para nós, mas minha mãe sempre buscou aprender. As entrevistas aconteceram no meu quarto e tiveram um efeito terapêutico, destacou o jovem. A documentarista reuniu as gravações ao longo dos anos de transição de Noah e percebeu que o material poderia render um filme. A partir disso, iniciou o levantamento de imagens de arquivo de sua família e a montagem do longa-metragem. Tive o cuidado de editar o material mostrando às pessoas envolvidas: meu filho, minha mãe, meu atual companheiro e ao pai do Noah. O filme não poderia ter nada que deixasse um desconforto em algum dos sujeitos. Produção tocou outras famílias Durante a transição, Noah acessava conteúdos de outros jovens trans na internet e Coraci acredita que isso foi fundamental para o filho ter referências de como poderia transicionar. Isso influenciou em sua relação com Limiar. Ele começou a ver uma possibilidade da história dele contribuir com outros jovens que passavam por questões semelhantes do mesmo modo que ele foi ajudado antes. O estudante de artes visuais começou a recebeu mensagens de carinho de espectadores. A parte que faz mais valer a pena, acima de tudo, é saber que o filme ajuda outras pessoas. Isso me deixa muito feliz. De acordo com Coraci, o longa circula em escolas, universidades, grupos de pais e mães de jovens trans e em ambientes de formação de pessoas em geral. Sessões gratuitas de exibição coletiva podem ser organizadas através da plataforma disponibilizada pela produtora audiovisual. É uma forma de afirmação e posicionamento, um dos meios de resistência à transfobia, homofobia e machismo que circulam na sociedade brasileira” , pontuou a diretora. Até o início deste ano, o Brasil era o país com maior índice de violência contra pessoas trans no mundo, segundo dados da Associação Nacional de Travestis e Transexuais do Brasil (Antra). * Sob a supervisão de Patrícia Teixeira Coraci, seu marido Julio e seus filhos Martí e Noah, moradores de Campinas (SP) Arquivo pessoal VÍDEOS: tudo sobre Campinas e Região Veja mais notícias da região em g1 Campinas

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