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Adolescente Yanomami em estado grave de malária morre por negligência, afirma Conselho




Ofício feito pelo Condisi-YY cita que resgate da adolescente havia sido solicitado pelos indígenas da comunidade onde ela vivia, mas atendimento só ocorreu quando condição da jovem já era grave. Paciente tinha 17 anos e morreu em Surucucu. Comunidade Surucucu, na Terra Yanomami Júnior Hekurari Yanomami/Condisi-YY Uma adolescente indígena, de 17 anos, da comunidade Yaritopi, que estava em estado grave de malária falciparum morreu nessa quarta-feira (3) após ter o atendimento médico negligenciado na Terra Indígena Yanomami, afirma o Conselho de Saúde Indígena Yanomami e Yekuanna (Condisi-YY). De acordo com ofício enviado ao Distrito Sanitário Yanomami (Dsei-Y) e ao Ministério Público Federal em Roraima (MPF), o Condisi-YY relata que a adolescente morreu por não haver equipe de saúde suficiente para atendê-la dentro da TI Yanomami. A reportagem procurou o MPF e o Ministério da Saúde, responsável pelo Dsei-Y, mas os órgãos ainda não enviaram resposta sobre o caso. VÍDEO: Estou aqui pedindo socorro: as ameaças aos yanomamis O resgate da adolescente — já em estado grave — foi solicitado pelos indígenas da comunidade nessa terça-feira (2), um dia antes do óbito, ainda segundo o Conselho. Ela foi removida da comunidade para o polo base do Surucucu na quarta, mas não resistiu. Como se tratava de um caso grave a mesma não resistiu e veio a óbito às 04 da manhã de hoje (03/11) no Polo-Base do Surucucu, cita trecho do ofício assinado pelo presidente do Condisi-YY, Júnior Hekurari Yanomami. O ofício também cita que a quantidade servidores de saúde contratados pelo Dsei-Y não é suficiente para atender os Yanomami que precisam de assistência, mencionado que há um quadro de RH incompatível com a realidade da população Indígena e que vários pedidos foram encaminhados solicitando um planejamento, que até o presente momento não obtive resolutividade. Junior Hekurari prevê um colapso na saúde Yanomami Caíque Rodrigues/g1 RR Ao g1, Júnior Hekurari Yanomami informou que atualmente há apenas dois profissionais atendendo em Surucucu. Tem um enfermeiro e um técnico de enfermagem lá no Surucucu. Tentaram fazer de tudo, e 4h da manhã a jovem morreu de malária falciporum. Segundo informações, tem muitos Yanomami ainda na mesma situação da adolescente. Ela morreu por falta de cuidado por parte do Dsei-Y. O Condisi já havia solicitado que o Dsei-Y mandasse profissionais para essa comunidade. Pelo o fato do Distrito não ter mandado profissionais, essa jovem morreu, disse o presidente. Ainda de acordo com Júnior Hekurari, o Condisi-YY afirma que houve negligencia da Saúde pelo fato de o Conselho já ter solicitado anteriormente o aumento do quadro de profissionais para atender a região. O Condisi-Y acredita muito que houve uma negligência. Essa não foi a primeira vez que aconteceu isso. Nós já comunicamos que a comunidade está precisando ser atendida, que precisa de uma equipe médica maior. Então, acreditamos, sim, que houve negligência por parte do Dsei-Y, do coordenador, do Secretário de Saúde Indígena, do governo, de tudo! Todos têm conhecimento desse problema, que é muito grave. O presidente informou ainda que há ao menos 60 pacientes Yanomami estão em situação grave de malária somente em Surucucu. Suspensão de voos na Terra Indígena Yanomami No dia 1º de novembro, os voos prestados para a Terra Yanomami foram suspensos devido a falta de pagamento do Dsei-Y. Conforme a empresa Voare Táxi Aéreo, única que faz o serviço para a região, o pagamento deixou de ser feito há quase 90 dias e a divida acumulada ultrapassa R$ 7 milhões. Comunidade na Terra Indígena Yanomami Junior Hekurari Yanomami/Condisi-YY De acordo com Junior Hekurari, a suspensão de voos para a Terra Indígena Yanomami afetou mais de 15 mil indígenas de cerca de 19 regiões. Hekurari prevê ainda que se os voos não forem retomados haverá um grande colapso na saúde Yanomami. Em nota, a Voare informou que ao todo, o Dsei-Y possui quatro contas em atraso, três referentes a 2019 e uma de 2021. Disse também que o Distrito sinalizou que iria sanear as pendências financeiras. Conforme a Voare, assim que ocorrer o pagamento, a empresa vai conseguir pagar os fornecedores e restabelecer a normalidade das rotinas do transporte aéreo. A empresa afirma que vai aguardar o pagamento até a próxima sexta-feira (5). O Ministério da Saúde informou por meio da Secretaria Especial Indígena (Sesai) que o Dsei-Y é o Distrito que mais recebeu investimentos do Governo Federal nos últimos três anos, somando-se mais de R$ 216 milhões para serviço, contratação de transporte aéreo, terrestre e fluvial, recursos humanos, aquisição de bens, insumos, medicamentos, entre outros. Terra Indígena Yanomami Maior reserva indígena do Brasil, a Terra Yanomami tem quase 10 milhões de hectares entre os estados de Roraima e Amazonas, e parte da Venezuela. Cerca de 30 mil indígenas vivem na região em mais de 360 comunidades. A área é alvo do garimpo ilegal de ouro desde a década de 1980. Mas, nos últimos anos, essa busca pelo minério se intensificou, causando além de conflitos armados, a degradação da floresta e ameaça a saúde dos indígenas. A invasão garimpeira causa a contaminação dos rios e degradação da floresta, o que reflete na saúde dos Yanomami, principalmente crianças, que enfrentam a desnutrição por conta do escasseamento dos alimentos. O número de casos de Covid entre indígenas que habitam a região, aumentou em razão da presença de garimpeiros. No ano passado, em apenas três meses, as infecções avançaram 250%.

Assessoria de Imprensa: 

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