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"Cenário de alto risco". Le Monde dedica editorial à situação em Portugal



A situação política que, atualmente, se vive em Portugal faz, esta quinta-feira, o editorial do diário francês Le Monde. Após seis anos de união da Esquerda em Portugal, a rutura da aliança constitui um cenário de alto risco, escreve a publicação, acrescentando que a Direita [está], ela própria, numa posição difícil, podendo ser tentada a aliar-se a uma extrema Direita que vai de vento em popa

Para a opinião de Esquerda europeia, o Governo liderado em Portugal pelo socialista António Costa constituía um exemplo e uma esperança: desde 2015, o PS, aliado a dois partidos de extrema esquerda, o Partido Comunista Português (PCP) e o Bloco de Esquerda (BE), havia demonstrado a sua capacidade de puxar o país, severamente afetado pela crise financeira de 2008, da austeridade financeira, de reanimar a economia e de se envolver numa política social marcada pelo aumento de salários, pensões e reforma tributária, pode ainda ler-se no editorial, que aponta uma notável gestão da crise sanitária devido à Covid-19, vincando o primeiro lugar do nosso país no que à taxa de vacinação diz respeito. 

Contudo, o equilíbrio desmoronou quando, em 27 de outubro, os deputados do PCP e BE abandonaram o primeiro-ministro socialista votando com os partidos de Direita e de extrema Direita contra o Orçamento do Estado para 2022. Este resultado, é ainda referido, conduz à dissolução da Assembleia da República.

Este divórcio, chama-lhe o Le Monde, poderá responder a considerações de estratégia política. Os dois partidos de extrema Esquerda, em declínio, teriam analisado que sua participação no Governo os afasta dos eleitores, enquanto o Partido Socialista, criticado por dialogar pouco com os seus parceiros, espera conquistar a maioria absoluta ao colocar a responsabilidade da crise em aliados irresponsáveis.

Seja, ainda assim, uma situação escolhida ou não, a publicação francesa considera que o rompimento desta aliança de Esquerda no nosso país é um cenário de alto risco. Para já, vinca, as sondagens já dão à extrema-Direita, Chega, o terceiro lugar nas intenções de voto, atrás de PS e PSD. 

Ao brincar com o fogo, a Esquerda poderá, assim, ter-se autoexcluído permanentemente do poder, mas também favorecer o surgimento de uma formação abertamente xenófoba apoiada por Marine Le Pen, é ainda descrito. Pelo seu comportamento, os dirigentes da esquerda portuguesa parecem estar a enviar aos seus amigos, de outros países europeus, uma mensagem contrária sobre a importância da unidade.

Recorde-se que o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, vai falar ao país hoje às 20h00 sobre a dissolução do Parlamento e a data de eleições legislativas antecipadas, após ter ouvido os partidos e o Conselho de Estado.

Dos partidos representados no Conselho de Estado, apenas PCP e BE tinham manifestado publicamente discordância em relação à opção de dissolver a Assembleia da República e convocar eleições antecipadas na sequência do chumbo do Orçamento do Estado para 2022 na generalidade.

Leia Também: As sete dissoluções da Assembleia da República desde o 25 de Abril

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