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Dono de fazenda nega maus-tratos a búfalas: morrer naturalmente é diferente de deixar para morrer





Fazendeiro falou com exclusividade ao g1 sobre o que aconteceu com os animais, em Brotas (SP). Ele também enviou vídeos para comprovar que tratava do rebanho. Búfalas encontradas em fazenda de Brotas Fabio Rodrigues/g1 Quase um mês após a denúncia de maus-tratos a búfalas na fazenda Água Sumida de Brotas (SP), a 246 quilômetros da capital paulista, o dono da propriedade, Luiz Augusto Pinheiro de Souza, falou com exclusividade ao g1 a sua versão sobre o que aconteceu com os animais. Em uma conversa de mais de uma hora por telefone, o pecuarista negou maus-tratos, justificou a falta de pasto por conta da estiagem e atribuiu a perda de peso dos animais à idade avançada. Também enviou vídeos para mostrar que a propriedade sempre teve estrutura para cuidar dos 1.056 animais. (assista abaixo). Existe uma diferença em deixar para morrer, como dizem, e morrer naturalmente. Na maioria, são vacas que estão velhas, que procriaram, produziram. Eu não posso matá-las, mandá-las para o abate, só porque estão velhas. O animal vai ficando velho e vai tendo dificuldade de locomoção, perde os dentes, não consegue absorver todos os nutrientes e vai emagrecendo, alegou. Souza, que chegou a ser preso assim como dois funcionários, já foi multado em mais de R$ 4 milhões, após os animais serem encontrados sem água e alimentos. Atualmente, as búfalas são tratadas por voluntários, entre médicos veterinários, auxiliares e resgatistas. ENTENDA: Saiba o que acontece na fazenda onde animais foram encontrados FOTOS: Voluntários ajudam búfalas em situação de abandono em Brotas ONG faz piquetes para facilitar cuidados com os animais vítimas de maus-tratos em Brotas Criação de búfalas Souza contou que a fazenda tem 50 anos e tinha como atividade a criação de gado nelore. Em 2011, após assumir a administração da propriedade, ele começou com a criação de búfalas para produção de leite com 300 búfalas com idade entre 7 e 12 anos. Animais encontrados em fazenda de Brotas Polícia Ambiental/Divulgação Com o passar do tempo e a reprodução dos animais, o rebanho foi aumentando. Atualmente, parte do plantel possui entre 17 e 22 anos e Souza diz que, em todo o tempo da sua administração, nunca havia recebido multas por maus-tratos. De acordo com o pecuarista, os problemas começaram quando colocou as búfalas em uma área próxima à estrada que passa ao lado da fazenda, onde há trânsito e passagem de pessoas. Animais em fazenda de Brotas Polícia Ambiental/Divulgação Nós vamos mudando os animais de pasto. Como foi uma seca muito prolongada, acaba um pasto, você muda para outro. Você vai rotacionando esse gado. E aí, esse gado, ficou mais perto da estrada. São vacas velhinhas, que são magras mesmo. Mas são todas vacas que criaram. Se elas criaram, já têm uma condição corporal razoável, se não, não teriam nem emprenhado, nem criado, explicou. Ele justifica a perda de peso dos animais pela idade avançada. São vacas muito velhas que vão perdendo a dentição, não tem a mesma absorção de nutrientes e tendem a morrer. Todo ano há perdas de animais. Não só eu, todo mundo tem perda de animais mais velhos, são os que mais morrem naturalmente, disse. Denúncia de maus-tratos Proprietário de fazenda em Brotas nega maus-tratos Fabio Rodrigues/g1 Desde a primeira vistoria da Polícia Ambiental, o fazendeiro nega as acusações de maus-tratos. Ao g1 ele disse que o rebanho não estava confinado para morrer e alegou que não havia pasto para os animais por conta da falta de chuvas e, por isso, complementava a alimentação das búfalas. Em novembro ninguém tem pasto no sudeste e centro-oeste, vai acabando. Está começando a chover agora. Então, a gente coloca comida, bagaço de cana-de-açúcar, sorgo, coloca comida no pasto. O policial [que emitiu a multa] declara que não tinha água e eu tenho o vídeo que mostra a estrutura de 20 mil litros de estoque de água, abastecidos diariamente. Um grande absurdo, argumentou. Proprietário de fazenda nega maus-tratos a animais Fabio Rodrigues/g1 Para o pecuarista, não faz sentido acusá-lo de deixar os animais para morrer, se eles poderiam ser fonte de renda para a fazenda. Veja só, por que eu ia confinar para morrer se eu posso vender? Se eu quisesse matar, ou se quisesse acabar com elas, eu venderia. No preço que está a carne hoje, eu venderia. Então é um absurdo dizer que eu deixei confinada para matar , declarou. Souza alega ainda que poderia ter mandado o gado mais velho para o abate, mas que não o fez por ter pena dos animais. Uma vaca que eu usei 10 anos da minha vida e aí eu vou mandar para o abate? É a mesma coisa de você pegar a sua bisavó, que está velhinha, dando trabalho e mandar ela para o abate. Você não a coloca no asilo e cuida dela? Do mesmo jeito aqui, as vaquinhas velhas a gente dá soro, não é porque ela é velhinha que não vamos cuidar, disse. Pecuarista mostra estrutura em vídeo Vídeo gravado por proprietário de fazenda mostra sistema de distribuição de água Para provar que a fazenda tinha estrutura para cuidar dos animais, Souza fez uma série de vídeos. Um deles, segundo o pecuarista, foi gravado em 6 de novembro, dia da fiscalização da Polícia Ambiental. Nele mostra o local de abastecimento de água feito pelos trabalhadores da fazenda, com capacidade para 20 mil litros. Este foi o ponto onde os animais foram encontrados pela Polícia Ambiental e de onde começaram as denúncias de maus-tratos e as multas (assista acima.) Segundo Souza, as imagens foram gravadas logo após ele ter recebido a primeira multa por maus-tratos, no valor de R$ 2,13 milhões para servirem como contraprovas para as acusações que lhe foram feitas. Polícia Ambiental encontra búfalos em situação de maus-tratos em fazenda de Brotas Souza diz que em 24 de novembro, gravou outro vídeo no mesmo local, já quando havia a ação dos voluntários e que os bebedouros do sistema de abastecimento e uma caixa dágua haviam sido retirados (veja imagens abaixo). Tiraram para ser levado para outro local, prejudicando as provas para o recurso da primeira multa, apesar de notificados verbalmente que não poderiam fazer, disse. Vídeo gravado por proprietário mostra local da fazenda após retirada dos bebedouros Olha só, eles retiraram as caixas dágua, toda a estrutura, dia 24 de novembro. Aqui a polícia municipal de Brotas. Tinha uma caixa dágua aqui em cima, rastro fresquinho do... Ó, quebraram até essa árvore. Rastro fresquinho do trator, inclusive é da prefeitura. Derrubaram o mourão. Aqui tinham as caixas dágua e tinham os bebedouros. Olha, devem ter levado lá para cima, lá perto da sede, narra durante a gravação. O terceiro e último vídeo, de acordo com Souza, mostra o local em que o delegado de Brotas, Douglas Amaral Brandão, disse que ele estaria passando o trator para acabar com o pasto. Após essa ação, o fazendeiro chegou a ser preso. No dia 11 de novembro, em entrevista à EPTV, afiliada da TV Globo, Brandão disse que o objetivo do pecuarista era estragar o pasto. Ontem, no fim da tarde, ele começou a passar trator no local para estragar pasto que ainda era bom. Então vimos que a intenção dele, ainda não sei por qual motivo, era de matar esses búfalos. Diante desse dolo direto, decidimos autuá-lo por maus-tratos animais em concurso material, ou seja, cada búfalo que está sendo maltratado lá é um crime, afirmou o delegado na ocasião. Segundo o fazendeiro, a interpretação da polícia foi equivocada, já que o local é uma área de pasto degradado e que necessita de uma reforma (veja vídeo abaixo.) Vídeo gravado por proprietário mostra qualidade do solo onde estava sendo passado o trator Ele fez uma live dizendo que nós estavámos acabando com o pasto e, na verdade, estamos reformando um pasto degradado para ter capim em janeiro quando as búfalas criarem. Então, estavámos gradeando e o tratorista ficou com medo de continuar por causa da live, da declaração do doutor delegado de Brotas. Aqui não tem pasto, só tem um pasto degradado, não tem capim, só praga. Vejam o solo, não tem capim, não tem comida, disse Souza em um dos trechos do vídeo. Realidade diferente Búfalas encontradas em fazenda de Brotas Fabio Rodrigues/g1 Para Souza, tanto a sua prisão, como a de seus funcionários, foi ilegal, feita de forma arbitrária e a estrutura de sua fazenda está sendo prejudicada pelo delegado do caso. A juíza deu a guarda dos animais para mim e o delegado foi lá e apreendeu todo o gado e deu para o presidente da ONG. A minha gestão está sendo combalida pelo delegado, ele prende meus funcionários e não os permite trabalhar mais na fazenda. Quando eles [funcionários] foram presos, foi alegado maus-tratos, mas ele só viu o último bebedouro, não viu os outros que estão ligados ao poço artesiano que vem 7 mil litros de água por hora, disse. Souza acredita que recebeu as multas, que já somam mais de R$ 4 milhões, baseado em falsas evidências de falta de água e comida. O delegado alega que queremos matar o gado, quando não é verdade. Compromete nossa estrutura e dá a posse para a ONG. Esta última declara para o mundo que são 1 mil búfalas abandonadas, quando, na verdade, estão cuidando só das mais fraquinhas, que são duas ou três, declarou. Segundo ele, os ativistas arrebentaram os cadeados da fazenda. Ele citou um machado que teria sido usado e teve uma foto postada por um ativista em rede social. Ativista teria usado machado para arrebentar cadeados de fazenda de Brotas, diz dono Reprodução/Facebook Ele também disse que fizeram piscinas para colocar as búfalas, o que pode ser prejudicial para a saúde dos animais. A água fica parada nas piscinas, as búfalas urinam e defecam, com alto risco de contaminação no peito das vacas. Cadê o veterinário que permite isso? Deslocaram todo o gado de um pasto gigante para uma área perto da sede para ficar mais perto. Neste deslocamento, apesar de proibido pela juíza, diversos animais se perderam na mata e outros entraram na soja arrendada, dando prejuízos, disse. Souza ainda declarou que a realidade é completamente diferente do divulgado. “As eleições estão à vista e todos querem ser os ‘salvadores’ das búfalas ‘abandonadas’. Meu grande erro foi não ter divulgado a minha versão logo no começo”, finalizou. Delegado aponta conjunto de fatores Delegado de Brotas, Douglas Brandão Reprodução/Instagram Após as declarações do pecuarista, o delegado Douglas Brandão disse ao g1 que prisão de Souza não foi feita exclusivamente por conta do gradeamento do pasto, mas sim por um conjunto de fatores. Eu o prendi pelos maus-tratos que, na ocasião, eu entendi ser contra mais de 600 búfalos e 22 que estavam lá mortas. Do primeiro dia da autuação, até a prisão, ele não prestou nenhum tipo de auxílio. Estava agindo com descaso. Eu fui muito cauteloso até tomar essa ação [da prisão]. E ele foi preso em flagrante, pois o dolo dele estava manifesto, disse. Chegamos lá e vimos um cenário de guerra, búfalas agonizando, carcaças, algumas sendo comidas ainda vivas pelos urubus. Depois da nossa intervenção, cuidados da ONG, podemos dizer que está sendo administrado do jeito que tem que ser, afirmou. Por fim, Brandão confirmou que o sistema de distribuição para o gado existe, mas que foram encontrados outros problemas. Ele tem poço artesiano, caixa d’água, mas encontramos bebedouro com entulho. A mangueira que leva a água da caixa d’água para esse bebedouro está cortada por um facão. Só tinha um bebedouro que teve o registro aberto com a nossa chegada. Eram dois pastos, em um tinha água, mas não tinha comida e no outro, tinha comida, mas não tinha água, finalizou. Entenda o caso das búfalas de Brotas Voluntários ajudam búfalas em Brotas Fabio Rodrigues/g1 Em 6 de novembro, após uma denúncia, a Polícia Ambiental foi até a fazenda e encontrou 22 carcaças de búfalos enterradas, além de centenas de animais com fome, sem água ou alimentos, em situação de abandono. Búfalas de Brotas: ativistas criam formulário online para organizar ida de voluntários à fazenda O proprietário foi autuado pelo crime e multado em R$ 2,13 milhões e a Polícia Civil chegou a prendê-lo por maus-tratos, mas ele foi solto após o pagamento da fiança. Dois funcionários da fazenda também chegaram a ser presos na segunda-feira (22), após nova denúncia de maus-tratos aos búfalos. Eles foram soltos após uma audiência de custódia. Na quarta-feira (24), a Polícia Ambiental aplicou uma nova multa por maus tratos no valor de R$ 1,45 milhão. Na sexta-feira (26), uma nova multa no valor de R$ 517 mil foi aplicada, após a Polícia Ambiental constatar degradação ambiental em uma Área de Preservação Permanente (APP), correspondente a 17,259 hectares. Carcaças de búfalas encontradas em fazenda de Brotas Fabio Rodrigues/g1 Initial plugin text Veja mais notícias da região no g1 São Carlos e Araraquara.


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